Nota de Pesar pelo falecimento de Teodomiro Cabrita Neto

A Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines expressa o seu pesar pelo falecimento de Teodomiro Cabrita Neto e apresenta as suas condolências à esposa, filhos, restante família e amigos.
Este ilustre natural de São Bartolomeu de Messines, nascido em 1933, aos 16 anos parte para Faro para completar os seus estudos. Enquanto trabalhador estudante foi leitor da Aliança Francesa e explicador de várias matérias, para poder pagar os seus estudos.
Ainda enquanto estudante, em 1958 e em resultado do convívio com Arnaldo Vilhena, médico intelectual e antissalazarista, começa a colaborar no Semanário “O Algarve” como publicista.
O seu trabalho jornalístico tornou-o alvo da PIDE e dos seus interrogatórios intimidatórios, o que o leva a sair do país em 1962. Em França, faz a sua licenciatura em História e o doutoramento em “História Política Europeia”.
Inicia um longo percurso de estudo e de trabalho em diversas cidades europeias e do Norte de África. Professor universitário em França, onde se mantém até à jubilação, é também lá que desenvolve atividade literária e jornalística, nos jornais “La Gazette de Genéve”, “L’Espoir” e “Aujourd’hui”.
A partir de maio de 1974 começa a repartir a sua vida profissional também com Portugal, colaborando em diversos órgãos de imprensa: “O Algarve”, “Correio do Sul”, “Jornal do Algarve”, “Folha de Domingo”, “Barlavento”, “Olhanense”, “Diário de Notícias” , “Jornal das Letras” e “Terra Ruiva” desde as primeiras edições.
Publica mais de uma dezena de títulos, de romances e obras no âmbito da história regional, e também várias peças de teatro, algumas delas já representadas, nomeadamente pelo Grupo de Teatro Penedo Grande, de São Bartolomeu de Messines. Publica também algumas obras em língua francesa, algumas traduzidas para inglês e alemão.
São exemplos da sua extensa obra: “Les Noces de Manolo”, “As tentações de Maria Lua”, “Vitória das Amendoeiras”, “O Processo do Guerrilheiro”, entre muitas outras.
O talento e a obra realizada foram reconhecidos com a atribuição de vários prémios, nomeadamente o Prémio de Imprensa Samuel Gâcon, o Prémio Internacional de Imprensa e o Prix Antoine Guichard, Prémio Infante D. Henrique. Recebeu igualmente a Medalha de Mérito Ouro da Cidade de Faro.
É uma das personalidades inseridas no livro “Notáveis Messinenses – Vivências e Contributos”, editado pela Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines em 2009. Em 2019 viu, o seu nome ser atribuído a uma rua na sua terra natal, por iniciativa da Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines que assim lhe prestou homenagem.
No mesmo ano, foi distinguido pela Câmara Municipal de Silves, no Dia do Município, com o Prémio Arte e Cultura.
Tal como o seu conterrâneo João de Deus procurou combater a iliteracia, sobretudo na área da cultura e da história, sendo uma das principais referências no Algarve, ao nível da compreensão, valorização e defesa cultural da região nas suas dimensões histórica, artística, social, politica e económica. Homem de vasto conhecimento foi um grande promotor e divulgador da história, do património e das pessoas da sua terra natal, à qual permaneceu sempre ligado.
A cerimónia fúnebre realiza-se na sexta-feira, pelas 10h30, na Igreja Paroquial de São Luís, em Faro, seguindo-se, pelas 11h, para o Cemitério Novo de Faro ( Penha).